Era uma vez, o Desenvolvimento Organizacional (DO) erguia-se com nobreza—não apenas como prática de mudança, mas como um chamado sagrado.
Seus praticantes eram guerreiros da cura, diplomatas da diferença e visionários da verdade e justiça.
Hoje, invoco essa linhagem.
Onde estão os guias, mentores e guardiões da consciência que outrora moldaram líderes mundiais, em governos, indústrias e na sociedade civil?
Onde estão as vozes internas do DO nesses ecossistemas?
Como permitimos, em silêncio, que esta loucura coletiva se desenrolasse diante dos nossos olhos?
Como chegamos à fome em massa planejada, aos assassinatos indiscriminados, às guerras contra civis, ao apagamento sistemático de culturas e nações, e ao terror patrocinado por Estados?
Será que nos afastamos tanto das nossas raízes que já não ouvimos os clamores de exclusão, injustiça, fome, deslocamento e desespero?
Sim, somos facilitadores—não executores. Mas onde está nosso chão moral? Onde está nossa voz profética?
O que estamos a fazer com o coaching? O que estamos a fazer com o mentoring? E com que propósito?
Ao redor do mundo, a humanidade ofega—presa no fogo cruzado entre o conflito e o silêncio daqueles que um dia se ergueram pela verdade e justiça.
Até mesmo as grandes tradições morais calaram-se?
Que fique claro: o DO nunca foi neutro. Especialmente quando o silêncio soa como aprovação.
O DO nasceu para remendar rupturas, restaurar a dignidade e acender a transformação rumo a um mundo inteiro.
Então—perdemos a alma? Trocamos nosso chão moral por uma caixa de ferramentas engenhosas? Ou pior… tornamo-nos irrelevantes?
Se não, por que nossas respostas aos clamores dos sem voz e dos sem poder são engolidas por um silêncio ensurdecedor?
Quando Estados, instituições multilaterais e religiões falham em asseguar justiça, dignidade, segurança, solidariedade e liberdade da fome e da pobreza…
Que este seja um chamado ao despertar. Um chamado à lembrança. Um chamado à coragem e à acção.
Antes tarde do que nunca. Este é um chamado para reivindicar o propósito sagrado da nossa área—especialmente para aqueles privilegiados a dar coaching e mentoring nos altos cargos e corredores do poder ao redor do mundo.
Voltemos ao coração do DO—não apenas como estratégia, mas como bússola moral. E a partir desse lugar… Reimaginemos os sistemas.
Restauraremos a verdadeira paz—com justiça e dignidade. Reviveremos a dança sagrada da mudança centrada no ser humano. Para que juntos, possamos cocriar um mundo justo, inclusivo e digno—para todas as nações e todos os povos.